Tuesday, 8 March 2011

Não tão pocket (título provisório)

    Ambos andam de madrugada por uma rua ainda molhada pela chuva que caíra pouco antes. É notório que a relação é recente, mas que duraria, pelo menos, por todo o momento que permanecessem juntos. Eles param na frente da porta da casa dela:
    - Bom, eu acho que ficamos por aqui. Diz ela, como quem dizia: - Gostaria que você me acompanhasse pelas escadas até meu quarto, cama e prazer.
    - Tudo bem. Diz ele, como quem dizia: - Por mim esta caminhada duraria por mais alguns passos pelo alto das escadas até seu quarto, cama e prazer.
    - É porque eu não estou sozinha em casa hoje. A menina que mora comigo brigou com o namorado e dormirá por aqui esta noite.
    - Não tem problema. Espero que ela faça as pazes com ele o mais breve.
    Sorridente ela concorda e eles se despedem com um longo e penoso beijo que fora ameaçado romper por três ou quatro vezes, mas sem sucesso. Após alguns minutos, as últimas trocas de palavras: “Então tá, o caminho é longo.”, “Nos vemos amanhã?”,  “Claro, nos vemos amanhã.” e por fim, “Qualquer coisa te ligo”.
    Ele segue o caminho para casa, voltando no sentido daquela mesma rua molhada pela chuva que caíra. Ela continua o caminho para casa, sobe as escadas, entra em casa e repara que está só: pega rapidamente o celular, disca o número dele e vê que não há créditos, vai à janela e repara que ele já dobara a esquina, desce rapidamente as escadas, sai, dobra a esquina daquela rua que está molhada por conta da chuva que caíra e o encontra parado, escorado na parede, fumando um cigarro, como quem espera por uma ligação, ou alguém que não conseguira realizar essa tal ação.
    O resto já não é mais preciso narrar.

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