Thursday, 13 May 2010

Recesso de Verão (da série Estações)


Pondo como impossível uma possível constatação do que havia dito,
Inventou, mentiu e blasfemou.
Quando posto de frente o improvável à realidade do que realmente era,
Escondeu, fugiu e ocultou.
Tendo como claro as dúvidas que tive,
Omiti, calei, silenciei.

Discurso Indireto Generalizado (DIG 01)


Submeto-me a horas de auto flagelação ao fato de não me caber por trás de máscaras e estar por todo o sempre procurando a paz anterior a você. Sem nem mesmo saber se paz é realmente o que procuro. Talvez possa ser uma aventura conjugal repleta daquelas baboseiras de romances, plots cinematográficos e coisa e tal.
Se de certa forma acredito ou não em coincidências, penso que há momentos e pessoas que devam se cruzar a fim de se estabelecer um conceito, ideia ou pensamento. Quando não, simplesmente seria mais um capricho da vida.
...

Wednesday, 12 May 2010

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

(Chico Buarque)

Monday, 3 May 2010

Ela pode ser mil, mas não existe outra igual.


Em meio à madrugada. Chico, apenas de samba canção e chinelos Havaianas, entra sob a penumbra de sua cozinha com o celular em mãos, abre a geladeira e procura algo.
- Cara, encontrei a mulher da minha vida.
- Porra Chico, são 4 horas da manhã. - Responde a voz sonolenta do outro lado da linha.
- Dessa vez é de verdade.
- Tal como as últimas mil?
- Ela pode ser mil, mas não existe outra igual.
Chico não encontra nada para comer, mas pega um suco de laranja na porta da geladeira e põe sobre a mesa.
- E o que ela faz?
- Ela faz cinema.
- Cuidado pra você não ser um personagem efêmero de sua trama.
- Não me importo, estou bem.
Chico enche dois copos, guarda o suco novamente na geladeira e pega um pacote de biscoitos sobre a mesa.
- Amanhã eu te conto como terminou esse capítulo.
- Beleza, mas até as duas da tarde meu celular vai estar desligado.
- Abraços!
- Até...
Chico desliga o celular e caminha pelo corredor carregando uma bandeja com dois copos de suco de laranja e um pacote de biscoitos. Chico chega ao quarto e é surpreendido por uma bela mulher nua de cabelos negros e pele branca que tira a bandeja de suas mãos e joga para o lado, segura-o pelos braços, atira-o na cama e logo depois se joga sobre ele. Ambos se abraçam aos beijos até formarem uma mistura homogênea sob os lençóis.
            Em uma panorâmica deixamos de ver o que se passa na cama e em um ângulo de 180º observa-se Chico em uma escrivaninha terminando de escrever algo em versos que termine assim:
                           “Ela faz cinema
                            Ela faz cinema
                            Ela é assim
                            Nunca será de ninguém
                            Porém eu não sei viver sem
                            E fim.”