Em meio à madrugada. Chico, apenas de samba canção e chinelos Havaianas, entra sob a penumbra de sua cozinha com o celular em mãos, abre a geladeira e procura algo.
- Cara, encontrei a mulher da minha vida.
- Porra Chico, são 4 horas da manhã. - Responde a voz sonolenta do outro lado da linha.
- Dessa vez é de verdade.
- Tal como as últimas mil?
- Ela pode ser mil, mas não existe outra igual.
Chico não encontra nada para comer, mas pega um suco de laranja na porta da geladeira e põe sobre a mesa.
- E o que ela faz?
- Ela faz cinema.
- Cuidado pra você não ser um personagem efêmero de sua trama.
- Não me importo, estou bem.
Chico enche dois copos, guarda o suco novamente na geladeira e pega um pacote de biscoitos sobre a mesa.
- Amanhã eu te conto como terminou esse capítulo.
- Beleza, mas até as duas da tarde meu celular vai estar desligado.
- Abraços!
- Até...
Chico desliga o celular e caminha pelo corredor carregando uma bandeja com dois copos de suco de laranja e um pacote de biscoitos. Chico chega ao quarto e é surpreendido por uma bela mulher nua de cabelos negros e pele branca que tira a bandeja de suas mãos e joga para o lado, segura-o pelos braços, atira-o na cama e logo depois se joga sobre ele. Ambos se abraçam aos beijos até formarem uma mistura homogênea sob os lençóis.
Em uma panorâmica deixamos de ver o que se passa na cama e em um ângulo de 180º observa-se Chico em uma escrivaninha terminando de escrever algo em versos que termine assim:

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