Wednesday, 10 March 2010

Que este seja tão defasado quanto minha própria vida.


Desde sua morte, o que há de mais presente em minha vida é a sua ausência.
Lembro-me de ter sonhado certa noite com tal acontecido. Foi mais ou menos assim:
Eu não chegava a ver vosso rosto, primeiro a notícia me veio por telefone, depois tive que reportar aos outros o acontecido, eu era breve e pouco explicativo, também pudera, o que mais poderia ser dito mediante tal circunstancia? Era isso e ponto. Cheguei a um piso superior e havia uma pessoa tocando um saxofone, mas aquilo me parecia tão, tão, tão desagradável. Despertei e flagrei-me a retorcer-se sobre a cama. Enfim, acalmei-me, porém eu me sentia pesado e com o corpo suado, apesar da janela estar aberta completamente. Alcancei o controle, desliguei o som que me parecia estar tocando Ray Charles e não consegui voltar a dormir novamente sob a luz da lua. Talvez me policiando ao medo de ter novamente aquelas más recordações.
Que este seja tão defasado quanto minha própria vida.

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